O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) decidiu punir com aposentadoria compulsória o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Paulo Medina e o ex-vice-presidente do Tribunal Regional Federal da 2º Região José Eduardo Carreira Alvim. Eles são acusados de vender sentenças para a máfia dos caça-níqueis e, por isso, receberam a mais alta punição administrativa da magistratura.
Agora vejamos a punição dos caras: mesmo punidos, ambos terão direito a salário integral, pois têm mais de 35 anos de contribuição. Medina receberá R$ 25.386,97 mensais, enquanto Alvim sai com remuneração de R$ 24.117,62.
Segundo o Ministério Público Federal, Medina e Alvim supostamente negociaram a liberação de 900 máquinas caça-níqueis, apreendidas pela PF em Niterói, em 2005. O ministro, segundo a denúncia do MPF, teria recebido R$ 1 milhão para conceder liminar liberando o equipamento.
Foi a primeira vez que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) julgou e condenou um ministro do STJ. Óóóóhhhh!
Corrupção e Prevaricação investigadas e denunciadas pela Polícia Federal (Operação Hurricane) e 25 paus na conta todo mês... É muito cinismo, escárnio e deboche explícitos.
Deixa eu ver se entendi direito: os coitadinhos foram condenados a ficarem em suas casas paradisíacas recebendo de todos nós 25 mil por mês até o fim de suas vidas - com os devidos direitos de transmitirem esses ordenados de “condenados” às suas famílias. No mínimo, temos uma ausência chocante de bom senso.
Depois dos generosos auxílios financeiros do Banco Nacional de Desenvolvimento Social (BNDS) aos banqueiros, estas aposentadorias compulsórias para magistrados condenados representam a prova máxima de como o Estado brasileiro aristocratiza cargos e pessoas acabando por se tornar o “paizão” que sustenta herdeiros e filhos da máquina. Tristes trópicos!
O grupo de 33 trabalhadores chilenos presos numa mina de cobre e de ouro a uns quinhentos metros de profundidade num deserto me fez lembrar que a escravidão trabalhista ainda está vigente. Sim, ou você considera normal que para “ganhar a vida” o sujeito tenha que se enfiar como RATO DE ESGOTO num buraco dessa profundidade?
Apesar da ficção religiosa afirmar com veemência que no inferno estariam todos os tipos de anjos caídos, todas as mulheres pecadoras, todos os arrogantes, os pobres de espírito, os libertinos, os viciados, os ladrões, os ateus, todos os DAS, os comerciantes e outros pilantras terráqueos, a TV só mostrou TRABALHADORES nas profundezas rarefeitas daquele Hell.
A exploração de metais – sob a balela da geração de emprego e renda – ainda vai exterminar todas as formas possíveis de vida desse planetinha de bosta.
No último final de semana estive a passeio em minha cidade natal, Paracatu (MG), a 200 quilômetros de Brasília. Como de costume, toda vez que passo por lá, gosto de ir diretamente à residência de uma tradicional família do lugar, a mesma que produz a afamada aguardente de rapadura Paracatulina, a fim de comprar um pouco da cachaça de excelência, iguaria disputada na Capital da República.
No quarto bucólico, repleto de garrafas de pinga, está sentado um renomado médico da cidade. Coisa normal, está ali para tomar uns tragos, apesar de não haver nenhum copo na mesa que possa denunciá-lo. É educado comigo. Primeiro pergunta sobreo filme “Ouro de Sangue”, que realizei em Paracatu há dois anos. Na época, ele se mostrou impressionado com o documentário, que mostra os efeitos letais de uma mineradora canadense que atua a céu aberto, em perímetro urbano e dispara poeira tóxica vinte e quatro horas por dia nas casas da histórica cidade mineira. Mostrou-se impressionado, mas comoum dos profissionais de saúde mais respeitados de Paracatu, se negou, à época, a darqualquer depoimento para o filme, ou seja, optou pelo silêncio e omissão.
Mas vamos voltar à história inicial. Enquanto uma mulher embalava minhas duas garrafas de cachaça, respondi ao médico (que também é fazendeiro) que eu havia acabado de produzir um novo filme, chamado “Cerrado em Pé”. Contei que era outro documentário de denúncia, desta vez contra o modelo nefasto do agronegócio, implantado no Brasil há décadas e que atua sob uma lógica devastadora, destruindo o Cerrado e a Amazônia sem dó nem piedade.
O médico ruralista, agora com os olhos arregalados, resmunga secamente: - “Que bom”. Iniciou então um eloquente discurso em defesa do novo Código Florestal. Faltou dizer que Aldo Rebelo é um santo. Talvez estimulado pelos vapores etílicos da Paracatulina, sua veia de ruralista ativou-se rapidamente e a retórica das elites aristocráticas prevaleceu na prosa do homem. Argumentei que esse novo Código Florestal é um desastre para o meio ambiente pois reduz pela metade as Áreas de Proteção como as matas ciliares à beira de rios. Argumentei que o deputado Aldo Rebelo é um comunista que defende interesses ruralistas e tal fato beira o surrealismo político. Também disse a ele que caso o Código seja mesmo aprovado, isso representaria um retrocesso de pelo menos 40 anos na legislação ambiental brasileira pois prevê excesso de autonomia para os estados e anistia para os latifundiários criminosos que promoveram desmatamento em massa, o que, aliás, estaria ferindo a Constituição do Brasil no que tange aos direitos coletivos e bens públicos.
Gentil, o médico convidou-me a conhecer suas terras qualquer dia desses. Só em pensar no assunto, fui tomado por leves tremores de forma súbita (o que, sem dúvida, ele diagnosticaria como algum distúrbio clínico-patológico-emocional-endógeno) mas, cinicamente, agradeci pela gentileza do convite. Paguei a conta, catei minha cachaça, despedi-me do "doutor" de forma cordial e educada - como minha boa mãe me ensinou -, desejei-lhe tudo de bom e enfim, fui embora, munido de dois tubos de Paracatulina e pensando sozinho com meus botões... pensando que as mentes retrógradas do corporativismo feudal são as grandes responsáveis pela destruição de nossas florestas, pelo envenenamento crônico de nossos rios e pela trágica redução de nossa biodiversidade.
Já vou logo avisando: apesar da precária qualidade técnica de som e imagem, esse material do Cólera é muito raro. Trata-se de uma gravação de 1996, feita em VHS pelo cinegrafista pioneiro do underground brasiliense, Jaílson Lagartixa, de Valparaízo. Esse cara já fez muito pela cena rock do DF e Entorno, filmou dezenas de shows e gigs legais e a Pervitin Filmes retirou da gaveta essa gravação do Cólera tocando no extinto Buraco do Rock, que funcionava perto da Rodoviária do Plano Piloto (ao lado do Touring). Na extensa plateia, vários amigos da cena local (Julião e Gilvani são facilmente identificáveis). No palco, uma banda experiente toca inúmeros clássicos punk, como “Somos Vivos”, faixa do álbum Pela Paz em Todo Mundo.
Clique abaixo e leia a reportagem do JORNAL DE BRASÍLIA sobre o Festival Retina Rock, organizado pelo ZINE OFICIAL e realizado no último final de semana, no Blues Pub, em Taguatinga.
Na foto, a editora de vídeos SHEILA REZENDE, da Pervitin Filmes, exibe o troféu oferecido pelo Festival. O videoclipe "Ouro de Sangue" (com a banda Murro no Olho) foi o mais votado pelo público. É nóis!
O último final de semana foi especial para a PERVITIN FILMES. A produtora foi premiada no Festival Retina Rock, organizado por Fellipe CDC e Tomaz André, a dupla dinâmica do Zine Oficial. O videoclipe “Ouro de Sangue”(com a banda Murro no Olho) foi o mais votado pelo público na segunda noite do evento, realizada no Blues Pub, em Taguatinga, no domingo (25).
A Pervitin faturou o ZOscar, um troféu muito legal oferecido pela organização. Eu e o cinegrafista Arcanjo Daniel estivemos presentes e pudemos curtir uma noite com muito rock, cerveja e pipoca.
Gostei muito da apresentação da banda de heavy metal Hell Bound, que faz um som oitentista na linha do Metal Church, Accept e Manowar. Destaque para o vocalista Ronaldo, dono de um poderosíssimo agudo, a la Rob Halford, do Judas Priest.
De quebra, ainda saiu uma entrevista comigo no Zine Oficial e uma reportagem no Jornal de Brasília, o que, obviamente, me deixou muito feliz. Muito obrigado mesmo e longa vida ao Retina Rock.
No SESC do Gama, no último sábado (24), o curta “Dona Negra”(Pervitin Filmes; 2008) foi exibido na mostra Tecendo Vídeos, organizada pelo multifacetado artista Walter Sarça.
É isso aí! Viva o rock, viva o cinema documentário e viva as pessoas que fazem tudo isso acontecer.
Josué Faustino de Souza é artesão e vive em Teresina de Goiás, na Chapada dos Veadeiros. Ao mesmo tempo em que utiliza fibras do Cerrado como matéria-prima de seu ganha-pão, desenvolve um trabalho de replantio de espécies raras e nativas do bioma. Não possui escolaridade, mas sua relação de nobreza com o meio ambiente e o discurso arrebatador em defesa do Cerrado deixou perplexa uma plateia composta de gestores públicos, gerentes de ONGs, políticos, mestrandos, doutorandos, ativistas ambientais, jornalistas, antropólogos, universitários e diretores ministeriais do governo federal.
Mais uma do Rattus, a lenda do hardcore finlandês. Ao final do show no Gama/DF em 2007, o vocalista e guitarrista da banda deu um breve depoimento em sua língua natal, que não entendo absolutamente nada. Punk's não morrem!
O Radical Sem Dó é uma banda de rap das antigas, muito… mas muito legal mesmo! Liderada pelo loucão Natinho (Nonato Dente de Ouro), uma das figuras mais emblemáticas da cena underground brasiliense, o Radical foi formado em meados dos anos 1980.
Muita gente já passou pela banda: o Fat-Freak Ginão Perdiz, Grilo (ex-guitarrista do BSB-H), Dino Black, Frango Kaos (Galinha Preta), Fubá, DJ Chocolate e até a Verônica (nome carinhoso dado por Natinho à sua bateria eletrônica).
Natinho, pra quem não sabe, é proprietário da Kingdom Comics, a loja de camisetas alternativas mais bacana do Centro Cultural Underground Conic e uma das melhores do país.
Lembro do Natinho em 1986, vendendo camisetas do Detrito Federal na entrada de um show do Ratos de Porão, cantando as hoje clássicas “Garoto Digoró”, “Elianny” etc, louco e divertido da mesma forma. O cara é um poeta de rima certeira. Confira a pérola:
Eu fico diferente
quando vejo essa menina
A minha cara Cora
A cara dela Coralina
Radical Sem Dó é rap antes do Gangsta Rap, que acabou desgastando um pouco a fórmula do hip hop. Radical Sem Dó é rap na linha Beastie Boys, Public Enemy, Run DMC.
As letras são engraçadas, porém inteligentes e transitam pelo universo estranho do poeta Natinho. O imaginário doentio do Mestre-Ganja circula por Taguatinga e todas as Asas do Distrito Federal, causando estranhez no universo rap de Brasília e uma nuvem de fumaça canábica que sobe pelos ares.
Radical Sem Dó não pertence ao mundo da segregação voluntária, da treta gratuita, do assassinato a tiros, da pedra no cachimbo, da arma e sangue na favela.
Radical Sem Dó é pura atitude rock, cara! Natinho lembra um Perry Farrel (Jane’s Addiction) mais emaconhado.
O vídeo acima foi gravado em 2003, na cidade de Paracatu (MG).
Não sei o nome da música aqui interpretada somente por Natinho, Fubá e uma bateria eletrônica, mas sei um pedaço da letra:
Sempre fui um Suicidal Maniac. Escuto o som do SUICIDAL TENDENCIES desde a década de 1980. Fui ao primeiro show deles em Brasília, realizado no saudoso Gran CircoLar, ao lado da rodoviária do Plano Piloto, em 1997. Guardo com carinho a bandana oficial azul e tenho o nome da banda tatuado nas costas.
Assista aqui "I Saw Your Mommy", gravada no Porão do Rock de 2008. Suicyco!!